Após ofensas de Milei a Lula, ministro chama embaixador para consulta

 Presidente da Argentina participou de convenção do PL no sábado (25)

FILE PHOTO: Argentina's President Javier Milei walks outside the Buenos Aires Metropolitan Cathedral on the day of the traditional Te Deum to commemorate the 216th anniversary of the May Revolution, in Buenos Aires, Argentina, May 25, 2026. REUTERS/ Tomas Cuesta/File Photo
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, deve se reunir nesta segunda-feira (27) com o embaixador brasileiro Julio Bitelli que estava em Buenos Aires e foi convocado após o presidente da Argentina, Javier Milei, falar ofensas contra o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e contra o ministro do STF, Alexandre de Moraes.

Na diplomacia, o ato de chamar um embaixador para consultas significa um gesto de grave tensão entre os dois países.

O presidente da Argentina participou, no último sábado (25), em São Paulo, da convenção do Partido Liberal, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República.

O discurso de Milei foi cheio de ofensas ao presidente brasileiro e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.

No mesmo dia, o presidente do STF, Edson Fachin, divulgou uma nota oficial em que classifica como “referência desrespeitosa” a declaração do presidente argentino.

Fachin deplorou as "manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados”.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil também convocou, no domingo, o embaixador Argentino, Daniel Raimondi, para transmitir a repulsa do Brasil contra as ofensas de Javier Milei durante a reunião privada.

Mauro Vieira cobrou explicações sobre o comportamento do presidente argentino em território brasileiro.

Segundo o chanceler brasileiro, "não há precedentes de um presidente estrangeiro" que, em território nacional, agride e ofende "o chefe de Estado, as instituições democráticas, inclusive o Poder Judiciário".

Vieira ressaltou ser "especialmente lamentável" que o episódio envolva o presidente de um país com que o Brasil mantém mais de 200 anos de amizade e cooperação e "que tem, no Brasil, o seu principal sócio comercial".

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