Flávio Bolsonaro foge para os Estados Unidos após derrota nas eleições

 Hoje às 16:51

Flávio Bolsonaro votou ao abrir das urnas
Flávio Bolsonaro votou ao abrir das urnas (EPA/ANTONIO LACERDA)

Governo norte-americano terá participado ativamente no plano de fuga do senador. Administração Trump prepara-se para conceder asilo ao político que foi derrotado na eleição presidencial no domingo

Flávio Bolsonaro fugiu para os Estados Unidos após ser derrotado nas eleições presidenciais, avança a CNN Brasil, citando fontes próximas da família. A Reuters confirmou a situação com uma autoridade norte-americana. Segundo o Metrópoles, o destino da viagem é a Florida. 

Flávio Bolsonaro não deixou o país sozinho, tendo a companhia da mulher e das duas filhas. Segundo a CNN Brasil, a fuga foi motivada pelo medo de prisão após a ordem do Supremo Tribunal Federal para a apreensão dos seus passaportes. O senador é investigado por crimes como corrupção e branqueamento de capitais. 

Um aliado de Flavio Bolsonaro afirmou à Folha de São Paulo que o governo dos Estados Unidos terá participado ativamente no plano de fuga do senador. Além disso, aliados garantiram que a administração Trump concederá asilo ao político que foi derrotado na eleição presidencial no domingo. 

Inicialmente, o portal argentino Infobae noticiou que o político tinha cruzado a fronteira para depois rumar à América do Norte. Pessoas próximas de Bolsonaro e o governo de Javier Milei negaram que isso tenha ocorrido. A Polícia Federal está a fazer um rastreamento nos pontos de fronteira para verificar esta possibilidade. 

Até ao momento, a força de segurança constatou que o senador não terá passado oficialmente pela fronteira entre os países. Pessoas que fizeram parte da equipa eleitoral de Flávio foram contactadas pelo Estadão e rejeitaram a possibilidade de fuga, mas pouco depois passaram a afirmam que iriam confirmar a localização do candidato derrotado por Lula da Silva.

Na segunda-feira, Flávio foi intimado pela Polícia Federal para entregar os seus passaportes em 24 horas após uma decisão do juiz Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. O político não cumpriu a ordem, e a PF cancelou os documentos esta terça-feira. 

Pessoas ligadas ao senador têm histórico de fugas do país para evitar processos penais. Em 2024, Jair Bolsonaro hospedou-se na embaixada da Hungria em Brasília após ter os seus passaportes apreendidos. A notícia foi avançada pelo New York Times, que ressaltou que a ação seria para evitar uma possível prisão na época. 

Jair foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por liderar uma organização criminosa armada que tentou fazer um golpe de Estado após a derrota nas urnas para Lula da Silva em 2022. Em agosto de 2025, foi noticiado que o ex-presidente tinha no seu telemóvel um pedido de asilo à Argentina, que não chegou a ser utilizado. 

Eduardo, filho de Jair e irmão mais velho de Flávio, vive nos Estados Unidos desde o início do último ano. Na época, o político conseguiu uma licença do seu mandato de deputado federal, sendo cassado posteriormente. Na América do Norte, Eduardo articulou sanções contra autoridades brasileiras e celebrou a imposição de tarifas por Donald Trump que tinham como objetivo pressionar o Supremo Tribunal Federal a absolver os envolvidos no golpe de Estado. Por isso, foi condenado por coação no curso do processo e está foragido. 

Um dos motivos que levou à decisão que determinou a apreensão dos documentos de Flávio foi justamente uma declaração de Eduardo. Nos EUA, o antigo parlamentar disse: "Presumo que, se meu irmão não ganhar [a eleição], sou a favor que ele deixe o país", sugerindo o envio de "fuzileiros navais" para o Brasil no caso de derrota. 

Outro nome que fugiu para os Estados Unidos é Alexandre Ramagem, antigo diretor da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) que também foi condenado por envolvimento no processo que tinha como objetivo subverter o resultado das eleições de 2022. Durante o governo Bolsonaro, a instituição comandada por Ramagem foi utilizada de maneira ilegal para monitorizar oponentes políticos, em processo que ficou conhecido como ABIN paralela. Foi condenado a mais de 16 anos de prisão, mas está foragido. 

Carla Zambelli, antiga deputada federal e aliada de Jair Bolsonaro, também saiu do país para não ser presa. A política foi condenada por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal depois de perseguir um homem pelas ruas de São Paulo enquanto apontava uma arma contra ele. Ela está na Itália e o Brasil tenta a sua extradição.

Flávio Bolsonaro foi derrotado na corrida presidencial por Lula da Silva no último domingo. Inicialmente, o senador não reconheceu os resultados, afirmando que pediria a anulação das eleições. Posteriormente, o Partido Liberal, do qual faz parte, reconheceu a derrota e Flávio mencionou que seria o líder da oposição, apesar de não ter um cargo público pela primeira vez desde 2003. 

O senador, cujo mandato acaba apenas no próximo ano, está a ser investigado por crimes como corrupção e branqueamento de capitais. Em causa estão o financiamento do filme Dark Horse, negociado entre Daniel Vorcaro (banqueiro preso por corrupção e fraude) e Flávio, assim como negócios alegadamente criminosos com o advogado Willer Tomaz. 


CNN BRASIL


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